quarta-feira, 9 de março de 2011

George Simmel , O Estrangeiro judeu.

(Post referente a situação de aprendizagem 2. O estrangeiro do ponto de vista sociológico , dos cadernos do aluno do projeto São Paulo fas escola, 2 ano do ensino médio).

George Simmel ( 1858-1918) foi um sociológo alemão protestante , porém filho de pais convertidos ao protestantismo , e por esta razão sofreu na vida e na carreira acadêmica preconceitos advindos do antisemitismo presente na sociedade alemã da época .Em decorrência do preconceito anti-semita ,e do fato de ser um crítico dos valores dominantes de sua época , conseguiu muito tarde ocupar um cargo estável na universidade , cerca de dois anos antes de morrer e na Universidade  de Estransburgo que era afastada do centro acadêmico da época ,Berlim. Porém era uma professor prestigiado entre os alunos , hoje nós os denominariámos de “Professor Show” , sendo que os alunos lhe pagavam pelas aulas e com isto ele conseguia algum ganho com a carreira acadêmica .

“Além disso, é impossível não se voltar para a própria situação vivida em Berlim(3) pelo "judeu" Simmel – já seu pai havia se deixado batizar. Apesar dos inúmeros esforços para conseguir um cargo regular e remunerado como professor catedrático (Ordinarius), foi sempre repudiado devido a sua "raça". Embora usufruísse de um notável e extraordinário sucesso mundano - o que poderia contribuir para explicar sua visão da integração do judeu na sociedade européia -, sua carreira acadêmica foi completamente marcada (isto é, prejudicada) pelo fato de ser judeu (isto é, de ter ascendência judaica) e, em Berlim, Simmel jamais teria conquistado a cátedra. Max Weber, seu amigo, certa vez comentou uma situação análoga que se encaixaria perfeitamente na situação vivida por Simmel. "A vida acadêmica está, portanto, entregue a um aças o cego. Quando um jovem cientista nos procura para pedir um conselho, com vista a sua habilitação, é-nos quase impossível assumir a responsabilidade de lhe aprovar o desígnio. Se se trata de um judeu, a ele se diz com naturalidade: lasciate ogni speranza." Leopoldo Waizbort .GEORG SIMMEL E O JUDAISMO Entre a emancipação e a assimilação .

http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_27/rbcs27_05.htm

Sua produção foi ensaísta , escrevendo pequenos trabalhos direcionado aos mais diversos temas , portanto , poderiamos dizer que Simmel não possui uma teoria geral , assim com Marx , Durkheim ou Weber.Um desses temas é a experiência vivida pelo homem da métropole , no texto “ as grandes cidades e a vida do espírito” mostra que o homem da cidade sob a égide do calcúlo racional da modernidade é um homem egoísta e blazé , ou seja , centrado em si mesmo e afastado sentimentalmente dos outros homens.Adoro este texto , que usei na minha etnografia sobre as baladas eletrônicas , típicas da metrópole , onde a comunicação entre os indivíduos é mínima e o objetivo é a satisfação pessoal do indíviduo baladeiro.

Outro texto celébre de Simmel é o estrangeiro , na qual o autor se propõe a analisar a condição migrante , sendo que o artigo reflete um pouco da experiência de “estrangeiro” de Simmel , que apesar de ex-judeu era tratado como sendo um de fora da sociedade alemã.

O estrangeiro para Simmel é aquele que chega e não vai embora .Portanto , sua relação com os nativos é diversa daquela do turista , que visita e vai embora .Como estrangeiro sua posição social é marcada pelo não pertencimento ao grupo desde o início do mesmo ou desde de que nasceu.Por fim , podemos dizer , que sua posição no grupo  é marcada pela ambiguidade de não ser visto como parte do grupo , apesar de estar ali vivendo e trabalhando , ou seja , sendo parte integrante do grupo .Enfim, ele é um elemento do conjunto , assim como são os indigentes ou os mendingos e toda espécie de “inimigos internos”.Ele é ao mesmo tempo próximo e distante , pois é portador de sinais da diferença como a língua , os costumes , a alimentação , modos e maneiras de se vestir.

Veja o trechos do filme “Nação fast food” e perceba essa relação de pertecimento ao sistema produtivo americano dos imigrantes “xicanos” , porém a relação de exclusão social e preconceito xenófabo na qual eles estão submetidos .Lembrando que xenofobia é o preconceito dirigido ao imigrante.

 

Bibliografia.

Simmel , George.O estrangeiro.

Simmel , George.As grandes cidades e a vida do espírito.

Leopoldo Waizbort .GEORG SIMMEL E O JUDAISMO Entre a emancipação e a assimilação .

Zanzotti, Maria Isabel.A balada como objeto , a construção da distinção ,  do estigma e da experiência no entretenimento noturno.




Um comentário:

  1. Bem interessante o seu Blog da Bel, parabéns!
    Percebi que temos interesses por vários temas em comum na antropologia. Vou seguir! Beijos!

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