terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O fazer sociológico .O capital cultural como mecanismo de reprodução social da desigualdade .

 

 

O sociológo Pierre Bourdieu certa vez se questionou por que os filhos de operários continuam sendo operários e os filhos de burgueses e profissionais liberais conseguem ter profissões que exigem ensino superior , uma vez que o sistema educacional Francês pretende ser igualitário e a escola pública é frequentanda por todos independente da classe .Estranho , neh ?Pois bem , Bourdieu estranhou essa realidade e construiu sua teoria da reprodução social pelo capital cultural.

         “ No interior de uma sociedade de classes existem diferenças culturais. As elites possuem um determinado patrimônio cultural constituído de normas de
falar, de vestir-se, de valores, etc. Já as classes trabalhadoras (ou dominadas, como são identificadas pelos autores) possuem outras características culturais, diferentes, não inferiores, pois têm lhes permitido sua manutenção enquanto classe. A escola, por sua vez, ignora estas diferenças sócio-culturais, selecionando e privilegiando em sua teoria e prática as manifestações e os valores culturais das classes dominantes.
Com essa atitude, ela favorece aquelas crianças e jovens que já dominam este aparato cultural. Para estes, a escola é realmente uma conti-nuidade da família e do “mundo” do qual provêm. A escola somente reforça e valoriza conhecimentos que estes já trazem de casa.
Já para os jovens filhos das classes trabalhadoras, a escola representa uma ruptura. Seus valores e saberes são desprezados, ignorados, e ela necessita quase que reiniciar sua inserção cultural, ou seja, aprender novos padrões ou modelos de cultura. Dentro dessa lógica, é evidente que para os estudantes filhos das classes dominantes alcançar o sucesso escolar torna-se bem mais fácil do que para aquelas que têm que “desaprender” uma cultura para aprender um novo jeito de pensar, falar, movimentar-se, enfim, enxergar o mundo, inserir-se neste e ainda ser bem-sucedido. Bourdieu chama isso de “violência simbólica”, ou seja, o desprezo e a inferiorização da expressão cultural de um grupo por outro mais poderoso econômica ou politicamente, faz com que esse perca sua identidade e suas referências, tornando-se fraco, inseguro e mais sujeito à dominação.
Perceberam que este autor faz uma crítica ao sistema escolar?
Afirmam que a escola está organizada para servir apenas a alguns gru-
pos da sociedade, aqueles que já trazem de casa uma bagagem cultu-
ral semelhante a da escola.”
pg 75.Sociologia .Secretaria estadual educação paraná , 2007.

Vejamos um trecho de “sociologia como esporte de combate” , documentário sobre a vida e a obra de Pierre Bourdieu.

           Você sabe distinguir um Monet de um Manet?A escola ensina na disciplina de artes quais são as nuances entre estes dois pintores .Obviamente fica mais fácil para as crianças que em casa os pais discutem arte , possui livros de arte , que já visitou exposições de arte , de ir bem na escola neste conteúdo curricular .Quem tem acesso a esse capital cultural?Apenas as classes mais favorecidas economicamente.

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