terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Migração .

 

          Porque as pessoas migram ?A resposta parece até obvia , uma vez que muito de nós somos descendentes de migrantes ou estamos na condição migrante : 1) Melhores condições de vida .2)Fugindo de perseguições de caracter político , étnico e religoso.

        Segue abaixo dois documentários para refletir sobre os fluxos migratórios no Brasil contemporâneo : Nação oculta , os bolivianos em São Paulo , e , Migrantes , que fala sobre as condições da migração temporária de nordestinos no corte de cana.

 

Bibliografia .

Fazer a América: a imigração em massa para a América Latina. Boris Fausto.link



Quais as diferenças e semelhanças entre as características do “estrangeiro” de Simmel e os imigrantes bolivianos que trabalham nas oficinas em São Paulo e os imigrantes nordestinos que trabalham no corte de cana em São Paulo.

Em termos de semelhança poderíamos dizer que para Simmel o estrangeiro é aquele que é visto como de fora , tratado como de fora , e em algumas situações sociais é vítima da exclusão social .Em ambos os filmes os migrantes estão em condições de exclusão da cidadania , pois não possuem seus direitos sociais plenamente garantidos .Por outro lado , George Simmel , afirma que apesar de ser visto como de fora por ser portador dos sinais da diferença , o estrangeiro faz parte da dinâmica social na qual migra .Deste modo , no caso boliviano e dos cortadores de cana , eles se inserem na dinâmica dos setores têxtil e de açúcar/álcool que extremamente competitivos buscam diminuir os custos de produção pagando menos aos trabalhadores e por tarefa , característica da chamada acumulação flexível , que nada mais é do que a precarização das condições de trabalho.

Como diferença das características do estrangeiro de Simmel , podemos apontar que no caso dos migrantes nordestinos para o corte de cana o estrangeiro não permanece , uma vez que se trata de imigrantes temporários.

Diego ,Arraya.Nação oculta .Os bolivianos em São Paulo.(filme).

Beto Novaes, Francisco Alves, Cleisson Vidal.Migrantes.2007.(filme).

O imigrante latino-americano indocumentado que trabalha no setor de costura no Brasil tem seus direitos humanos sistematicamente violados. Dezenas de reportagens foram realizadas buscando denunciar as condições enfrentadas por esses trabalhadores. Traços recorrentes nas caracterizações jornalísticas são jornadas exaustivas de até 18 horas; salários inferiores ao mínimo; má alimentação; retenção de documentos; cerceamento do direito de ir e vir por meio de portas trancadas e/ou câmeras de vigilância; descontos nos pagamentos relativos a despesas com alimentação, moradia e viagem Bolívia-Brasil; condições insalubres, como pouca luminosidade, deficiência de instalações sanitárias e de moradia (que, muitas vezes, confundem-se com o local de trabalho sendo o local de dormir um colchonete estendido perto da própria máquina de costura do trabalhador); risco de incêndio e explosões devido a más instalações elétricas; crianças trancafiadas em quartos escuros ou amarradas ao pé da máquina de costura durante a jornada de trabalho dos pais; alto índice de tuberculose; intensa coação psicológica por parte dos patrões, que ameaçam denunciar os trabalhadores às autoridades migratórias etc” . Paulo lles ,Gabrielle Louise Soares Timóteo , Elaine da Silva Fiorucci.Tráfico de Pessoas para fins de exploração do trabalho na cidade de São Paulo. Cadernos Pagu (31), julho-dezembro de 2008:199-217.

 

As redes de subcontratação que permitem ao capital evitar “custos externos” está diretamente relacionada com o trabalho precarizado. Dessa maneira, a força de trabalho andina, através das redes de subcontratação, mantém a reprodução da indústria têxtil paulista em condições de acumulação flexível, o que é cada vez mais estimulado pela necessidade de se competir com os produtos chineses. São as relações sociais e comerciais entre os trabalhadores migrantes, donos de oficina e grandes redes de roupa varejista que estruturam a cadeia produtiva no ramo da confecção.” Bruno Miranda, Taiguara Oliveira .Tramas da exploração.Migração boliviana em São Paulo. http://lastro.ufsc.br/?page_id=2386 .2010.

 

Os trabalhadores que chegam do Nordeste possuem um perfil condizente com o que se precisa hoje para o corte manual. Segundo eles próprios, por terem sido, desde crianças, socializados no árduo e duro trabalho da agricultura na sua região de origem, o trabalho no canavial não os assusta. Além disso, segundo relato dos técnicos das usinas, são preferidos pelos usineiros por serem mais dedicados ao trabalho e gratos aos empregadores pela oportunidade do emprego, inexistentes em suas regiões. A necessidade premente de ganhar dinheiro, para assegurar a subsistência da família distante, tem funcionado como um freio que os torna mais tolerantes com descumprimentos de leis trabalhistas, com as injustiças e as distorções que ocorrem nas medições feitas pelo fiscal de turma em sua produção diária no corte da cana. As particularidades do corte manual – em um contexto de modernização e intensificação da produção – implicaram, contudo, a introdução de novas formas de controle do trabalho no corte da cana, dentre elas destaca-se o ganho pela produção, pela metragem e pesagem da cana cortada. Somando-se a esses critérios o tipo da cana cortada, tem-se a referência para calcular o salário. Assim,a lógica da eficiência do corte manual é determinada pelo lema: “Quanto mais se corta, mais se ganha”.Para serem selecionados pela usina, os candidatos terão que cortar no mínimo dez toneladas de cana/dia. Caso contrário, eles serão demitido.”JOSÉ ROBERTO PEREIRA NOVAES. Campeões de produtividade:dores e febres nos canaviais paulista.ESTUDOS AVANÇADOS 21 (59), 2007.

 

Bibliografia: Simmel, George.O estrangeiro.(fichamento).http://belzanzotti.blogspot.com/2011/03/george-simmel-o-estrangeiro-judeu.html

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