sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Estratificação social e desigualdade regional no Brasil .

           Este post direciona ao pessoal do segundo ano do ensino médio , que está tendo que encarar o caderninho do São Paulo faz escola , pseudo escola de Chicago (só sociólogo entende a piada) , desatualizado e confuso.Porém vamos ao assunto.

          Vivemos em um país marcado pela diversidade , tanto do ponto de vista cultural (diversidade cultural) , quanto do ponto de vista de multiplas realidades socio-econômicas .Diversidade cultural seria as diferentes práticas e manifestações simbólicas dos diferentes grupos sociais .

       Por outro lado , temos a diversidade social e econômica , tanto do ponto de vista da desigualdade regional , quanto da estratificação social .Desigualdade regional seria  a disparidade de acesso a recursos entre as regiões do país .Estratificação social , por sua vez , pode ser definida como a posição ocupada por um dado grupo na hierarquia social , sendo que ocorre uma desigualdade socialmente construída no acesso a bens e recursos materiais e simbólicos .

Abaixo a apresento alguns dado do PNAD 2009 descritivos da realidade nacional do ponto de vista tanto das deigualdades regionais , quanto daquelas que dizem respeito a estratificação social :

Analfabetismo ainda se concentra entre idosos, pessoas com menores rendimentos e residentes no NE

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade baixou de 13,3% em 1999 para 9,7% em 2009. Em números absolutos, o contingente era de 14,1 milhões de pessoas analfabetas. Destas, 42,6% tinham mais de 60 anos, 52,2% residiam no Nordeste e 16,4% viviam com ½ salário mínimo de renda familiar per capita.

Os maiores decréscimos no analfabetismo por grupos etários entre 1999 a 2009 ocorreram na faixa dos 15 a 24 anos. Nesse grupo, as mulheres eram mais alfabetizadas, mas os homens apresentaram queda um pouco mais acentuada, passando de 13,5% para 6,3%, contra 6,9% para 3,0% para as mulheres.

Norte 9,6

Nordeste 17

Centro-oeste. 7,3

Sul 5

Sudeste. 5,2.

Taxas de analfabetismo de pretos e pardos são mais que o dobro da de brancos

De 1999 a 2009, houve um crescimento da proporção das pessoas que se declaravam pretas (de 5,4% para 6,9%) ou pardas (de 40% para 44,2%), que agora em conjunto representam 51,1% da população. A situação de desigualdade por cor ou raça, porém, persiste.

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 13,3% para a população de cor preta, de 13,4% para os pardos contra 5,9% dos brancos. Outro indicador importante é o analfabetismo funcional (pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos completos de estudo), que diminuiu de 29,4% em 1999 para 20,3% em 2009. Essa taxa, que para os brancos era de 15%, continua alta para pretos (25,4%) e pardos (25,7%).

A população branca de 15 anos ou mais tinha, em média, 8,4 anos de estudo em 2009, enquanto entre pretos e pardos, a média era 6,7 anos. Os patamares são superiores aos de 1999 para todos os grupos, mas o nível atingido tanto pelos pretos quanto pelos pardos ainda é inferior ao patamar de brancos em 1999 (7 anos de estudos).

Em 2009, 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior (adequado à idade), contra 28,2% de pretos e 31,8% de pardos. Em 1999 eram 33,4% entre os brancos contra 7,5% entre os pretos e 8% entre os pardos. Em relação à população de 25 anos ou mais com ensino superior concluído, houve crescimento na proporção de pretos (2,3% em 1999 para 4,7% em 2009) e pardos de (2,3% para 5,3%). No mesmo período, o percentual de brancos com diploma passou de 9,8% para 15%.

Entre os mais escolarizados, mulheres ganham 58% do que recebem os homens.

Mesmo com maior escolaridade, as mulheres têm rendimento médio inferior ao dos homens. Em 2009, o total de mulheres ocupadas recebia cerca de 70,7% do rendimento médio dos homens ocupados. No mercado formal essa razão chegava a 74,6%, enquanto no mercado informal o diferencial era maior, e as mulheres recebiam 63,2% do rendimento médio dos homens.

A diferença era ainda maior entre os mais escolarizados: as mulheres com 12 anos ou mais de estudo recebiam, em média, 58% do rendimento dos homens com esse mesmo nível de instrução. Nas outras faixas de escolaridade, a razão era um pouco mais alta (61%). Entre 1999 e 2009, as disparidades pouco se reduziram.

O trabalho doméstico é um nicho ocupacional feminino por excelência, no qual 93% dos trabalhadores são mulheres. Em 2009, 55% delas tinham entre 25 e 44 anos, e a porcentagem de pardas era de 49,6%. Um percentual expressivo de trabalhadoras domésticas (72,8%) não possuía carteira de trabalho assinada; a média de anos de estudo era de 6,1, e o rendimento médio ficava na ordem de R$395,20.

Enquanto, em 2009, as mulheres trabalhavam em média 36,5 horas (em todos os trabalhos) semanais, para os homens a carga era de 43,9 horas. Nos trabalhos informais, a média caía a 30,7 horas para as mulheres e a 40,8 horas para os homens. Já nas ocupações formais, tanto para as mulheres (40,7 horas) quanto para os homens (44,8), a média de horas trabalhadas era maior que as 40 horas semanais.

Quando se analisa a média de horas trabalhadas por grupos de escolaridade tanto os homens quanto as mulheres com 9 a 11 anos de estudos trabalham mais do que os seus pares nos demais grupos. As mulheres com escolaridade mais baixa trabalham menos do que aquelas com mais de 12 anos de estudo, enquanto o inverso ocorre para os homens: aqueles com maior escolaridade trabalhavam menos do que os outros.

Apesar do aumento da taxa de atividade das mulheres, essas permanecem como as principais responsáveis pelas atividades domésticas e cuidados com os filhos e demais familiares. No Brasil, a média de horas gastas pelas mulheres a partir dos 16 anos de idade em afazeres domésticos é mais do que o dobro da média de horas dos homens. Em 2009, enquanto as mulheres de 16 anos ou mais de idade ocupadas gastavam em média 22,0 horas em afazeres domésticos, os homens nessas mesmas condições gastavam, em média, 9,5 horas.

A questão dos afazeres domésticos vista pela escolaridade mostra que as mulheres ocupadas com 12 anos ou mais de estudo passavam menos tempo se dedicando aos afazeres domésticos (17,0 horas semanais), quando comparadas às mulheres com até 8 anos de estudo (25,3 horas semanais).

Simultaneamente geladeira , eletricidade , telefone fixo , internet , computador , geladeira , TV a cores e máquina de lavar por Estado.

No Brasil, em 2009, 21,1% dos domicílios tinham simultaneamente energia elétrica, telefone fixo, Internet, computador, geladeira, TV em cores e máquina de lavar (em 2004, eram 12,0%). Na região Norte, 7,5% se enquadravam nesse critério, enquanto no Sudeste a proporção era de 27,8%; no Sul, de 27,1%; no Centro-Oeste, de 17,6%; e no Nordeste, de 8,1%. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal tinha 40,3% dos domicílios nessa situação, seguido, com uma diferença de quase dez pontos percentuais, por São Paulo (31,9%). No outro extremo estavam Maranhão (3,7%), Piauí (5,7%) e Tocantins (5,8%).

Retirado IBGE (pnad , 2009).Síntese de indicadores sociais.

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1717&id_pagina=1 .

Renda familiar per capita por Domicílio PNAD (pesquisa nacional amostra de domicílios) por regiões.

 

Brasil

Norte

Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-oeste .

Até ¼ de S.M

7,7

11,6

17,4

3,4

2,9

4,4

De ¼ a ½ S.M

15,2

22,0

24,2

10,6

9,7

13,9

De ½ a 1

27,6

30,3

29,5

26,4

25,9

29,7

De 1 a 2

24,8

18,8

15

29

32,3

25,9

De 2 a 3

8,3

5,5

4,1

10,2

11,6

8,1

De 3 a 5

6,0

3,7

2,7

7,7

8,1

6,1

Mais de 5 salários mínimos .

5,1

2,5

2,5

6,3

6,4

7

Sem rendimento

2,3

3,6

3

1,9

1,6

2,5

É mais descritivo falar sobre renda familiar per capita ( por pessoa na casa ) porque uma casa pode ter uma renda alta mais porem tem muitas pessoas .Dividindo numero de moradores pela renda , o dado descreve melhor a realidade .

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